Feeds:
Posts
Comentários

Passado, alisado e pintado o betume preto, vulgo alcatrão (principalmente nas vias do “lado A” da cidade) diminuem as vozes escandalizadas que vociferavam no último inverno.

Os “revolucionários de facebook” procuram agora outras plagas.

Os ‘não se sabe quantos mil’ que juraram participação em protestos e Rallys e que na rua eram tão poucos que não conseguiriam secar um tubo de Sapupara com tira-gosto de siriguela (porque apoiar na net é fácil, o difícil é levantar a bunda da frente do Dell) já pensam em puxar uma marchazinha pelo saneamento básico no lado B.

Com os amortecedores dos carros bem protegidos, faz-se o silêncio na seara das odiosas crateras, mas um rebuliço já toma conta de ipads e tablets: um possível Rally contra a criminalidade e o avanço do crack no Bom Jardim (não se fala em outra coisa no Mango e no Degusti!)

Especula-se nas rodas mais underground dos botecos chic da Aldeia Aldeota que as imensas filas nos terminais de ônibus bombarão nos trending topics. O serviço de inteligência da PM, por via das dúvidas, plantou um ou dois caras na DrogaNossa próxima ao Terminal da Parangaba. Nunca se sabe!

O tráfico de informações privilegiadas já teria vazado: o Montenegro, precavido, já estaria ensaiando uma retirada tática dos buzões no Mondubim.

O secretário da Regional I já alertou o Chefe da Guarda Municipal e ex-presidente do Centro Cívico Escolar Marechal Castelo Branco da saudosa Escola Técnica acerca de um esquisito aumento de acesso no Google maps sobre a Barra do Ceará.

Finda a quadra chuvosa, o cenário é de expectativa nos círculos políticos e cibernéticos.

Comenta-se, à boca miúda, que estariam sendo antecipados importantes encontros da militância petista, preparatórios para a peleja e o genuíno Guimarães teria articulado uma linha especial de financiamento de notebooks pra companheirada.

- ‘Eitamá! Mais uma intriga, mais um boato plantado pela turma do Tasso!’ revolta-se um guarda municipal militante (nas horas não vagas, vigia, dizem, de casas de distintas progenitoras).

- ‘Marróia’, concorda com o neo-tropa-de-Choque-para-professores um desavisado e incauto vendedor de chegadinha.

O sol inclemente abre, inocente, uma agenda ainda desconhecida na terra da Loura desposada do Hospital da Mulher.

P.S.: este comentarista não é pró-luiziane, muito menos pró-PT, mas se dana com uma certa classe média facebokeira que faz da suspensão dos seus carros a coisa mais importante do planeta Terra.

Não pensamos em uma educação que despeje na sociedade uma massa de serviçais, de mal formados, de cidadãos de segundo escalão, de subempregados, de gente do “beco da poeira” a serviço dos engomados do Iguatemi.

Insanidade seria discordar do jornalista em “A miséria da greve”.

O mais radical dos sindicalistas, o mais esquerdista dos militantes de PSOL, de PSTU’s e agrupamentos do gênero terá dificuldades de divergir desse encadeamento lógico de ideias sobre as consequências nefastas da greve elencadas no artigo: parte de ‘filhos de trabalhadores pobres’, sensibiliza pela ausência do suprimento alimentar fornecido pela merenda escolar, discorre sobre os problemas familiares e a exposição à rua, até chegar ao empecilho para a formação em si, fechando com o sonho da “profissionalização, da universidade…”, etc.

Ninguém descompassaria de tal raciocínio, e tal modo de enxergar o movimento grevista cabe como uma luva em variadas conjunturas.

Mas aí é que chegamos à parte complicada, da qual o jornalista insiste, pela simplificação, em “fugir”: o contexto histórico mais global, para além do período mais imediato, que tem em seu cerne uma demanda secular, uma dívida histórica com nós mesmos, que é a necessária (e certamente também consensual) revolução na Educação no Brasil.

É esse o prisma que (também) precisamos enxergar, e quem tá dentro do caldeirão, quem cai em desesperança após ver seus esforços darem em nada ano após ano, quem queima pestana e faz malabarismos turno após turno, quem, enfim, TÁ NA SALA DE AULA, enxerga com muito mais propriedade (e sentimento) que jornalistas em seus templos refrigerados nos confortáveis Civics e gabinetes.

À despeito de eventuais incongruências de sindicalistas do bonde do “quanto pior melhor”, estamos, há décadas, oferecendo pra imensa maioria do nosso povo uma educação de quinta categoria (e não falamos só de salário).

Não queremos resolver só a fome de hoje. Nem pensamos em uma educação que despeje uma massa de serviçais, de mal formados, de cidadãos de segundo escalão, de subempregados, de gente do “beco da poeira” a serviço dos engomados do Iguatemi. Pensamos mais além.

Em tempos de visibilidade positivada do país no cenário internacional, de ascensão de segmentos outrora marginalizados para o mercado, em tempos, também, de grandes espetáculos midiáticos no mundo esportivo que se avizinham, precisamos sim, inadiável e inapelavelmente daquela revolução.

Redenção na Educação continua sendo uma deslavada ‘conversa pra boi dormir’, uma promessa eterna de uma já desavergonhada sociedade.

A nós professores, que padecemos dessa dimensão mais aguda e mais histórica da problemática educacional, certamente custa ter a paciência reivindicada pelo articulista.

O colunista cearense Fábio Campos reedita uma velha e consagrada perspectiva do jornalismo brasileiro e teoriza, para professores grevistas e trabalhadores em geral, que a solução dos conflitos é bem mais simples do que parece.

Noite de uma segunda-feira de fins de maio (ano 2011 da Era Cristã). No UHF 48, TV OPOVO, o jornalista Fabio Campos recebe o presidente da Câmara Municipal de Fortaleza, Acrísio Sena.

                Em meio à temática tradicional nucleada nas agruras administrativas da senhora prefeita e no sempre precoce debate sucessório para as eleições municipais, uma nuance de caráter jornalístico sobressaiu (meninada sem aula tá mais perto da vida da gente comum que estratégias de alianças partidárias e afins).

            E foi nesse campo, da galerinha órfã de polinômios e inequações, e bruscamente apartadas das orações coordenadas, dos adjuntos adverbiais, das oxítonas e proparoxítonas, por força do movimento grevista dos tios e tias, que o respeitado articulista do jornal O POVO disparou algumas já consagradas fórmulas de enfocar, no jornalismo brasileiro, um fenômeno sociológico, a saber:

  • Acerca da invasão da Câmara Municipal pelos professores grevistas: A concentração, o foco, o privilégio, a absolutização do factual, do episódico, quando este significa transgressão ou desacato ao status quo legal (já na sua coluna no dia anterior dedicara uma única nota evidenciando tão somente a indesejada incursão ). Nada de mais, é um enfoque jornalístico.
  • A qualificação do movimento de uma categoria profissional em busca de melhores condições de vida e trabalho como um “desrespeito aos estudantes e suas famílias”. Tudo bem. É uma opinião.

              Por partes, primeiro ponto: 

             O problema é que essa postura à la Paulo Francis, Jabour e revista Veja, bem ao gosto do que quer ouvir uma certa classe média, é empobrecedora. Colocar os holofotes sobre um passo em falso (do ponto de vista do Direito) de um movimento social e obscurecer, por em segundo plano, as infinitas nuances e facetas da problemática que envolve o tema, é o que menos se espera de um jornalista conceituado e gabaritado que, diga-se de passagem, recentemente conquistou um espaço no caderno Política do jornal O POVO, similar (na diagramação e modelo, pelo menos) ao de um ícone como Elio Gaspari.

               Sobre o fato da invasão, nos contentaríamos com manchetes e notícias. Do articulista queríamos algo mais e não a fórmula repetida de obscurecimento do todo pela superfície do episódio.

                Nunca é demais lembrar que, para o bem e para o mal, transgressão e desacato à ordem estabelecida vêm do primeiro homem e têm, gostem ou não sisudos jornalistas de todos os tempos, movido a História.

                Poderíamos citar uma bíblia de exemplos. Desde a inauguração do mundo liberal pela Revolução Francesa, com seus emblemáticos episódios de afronta e desrespeito ao estabelecido (como a invasão à ‘sala do jogo da pela’), passando por 1817 e 1824 no Nordeste (desafiando o Império), “pretos insolentes” capitaneados por um tal João Cândido (que ousavam desacatar a autoridade da Marinha brasileira na Baía da Guanabara)… enfim, certos ou errados (não é essa a discussão aqui) os episódios em si não devem servir de manto que acoberte a imensidão do que representam ou podem representar em suas épocas e no futuro.

               “Quem pensam que são esses tais abolicionistas, que cometem crimes contra a ordem, incitam a baderna e financiam fugas de negros, que são legalmente de laboriosos fazendeiros?”.Por que não têm paciência, articulam-se dentro da legalidade, e deixam amadurecer” (por, quem sabe, cinquenta anos ou mais) “essas suas reivindicações ditas libertárias?”, deve ter escrito um Fábio Campos de fins do século XIX.

                Quanto ao segundo aspecto frisado pelo colunista (o do “desrespeito a alunos e famílias”), é de um reducionismo que dispensa comentários. Gastaríamos laudas mil pra demostrar que um movimento social é bem mais que isso, mas façamos de conta que foi só mais um deslize típico do uso de uma lente rançosa, bem “themistocliana”.

                Num requinte de argumentação (pasmem, não minto!), o jornalista chegou a ilustrar seu posicionamento invocando familiares seus (tias, me parece) que foram professoras do ensino público e “nunca haviam deixado seus alunos sem aula”(sic!).

                Ora meu caro Fábio. Milhões de professores (e médicos, garis, motoristas, etc) nunca fizeram greve. Outros tantos milhões, mundo afora, já fizeram. E isso não significa absolutamente nada! Não explica, não justifica, não esclarece, não resolve nada!

                Parabéns para suas honradas familiares pelo feito, mas, e daí?

                Como num passe de mágica, subtrai-se, com essa pérola de argumentação, aos cientistas sociais e políticos (e aos jornalistas!), dezenas, centenas de possibilidades de enfoques, de objetos de estudo, de percepção de um fenômeno histórico e sociológico cujas raízes estão no conflito de interesses entre classes sociais através dos tempos.

                As tias do Senhor Fábio Campos, “que nunca deixaram seus alunos sem aula”, talvez sejam, seguindo a linha do jornalista, a chave pra entendermos todo o complexo problema da educação no Brasil… ou, por que não arriscarmos, das relações de trabalho mundiais!

                Num próximo nível, quem sabe não podemos encontrar senhoras palestinas que nunca protestaram contra Israel, velhinhos muçulmanos que nunca se indignaram com o Ocidente, índios das Américas que nunca se importaram com invasores e…bingo! Tá tudo resolvido.

                “Por que não pensamos nisso antes?”, indagarão desorientados historiadores e sociólogos dos últimos dois séculos.

                  “Agora sim, temos o fim da história!”, suspira um aliviado Fukuyama.

Vale a pena reproduzir aqui a polêmica suscitada pelas declarações do pastor Ricardo Gondim, líder da Igreja Betesda e mestre em teologia pela Universidade Metodista. Seguem trechos do seu artigo “Deus me livre de um Brasil Evangélico“:

…os evangélicos sonham com o dia quando a cidade, o estado, o país se converterem em massa e a terra dos tupiniquins virar num país legitimamente evangélico.

Quando afirmo que o sonho é que impere o movimento evangélico, não me refiro ao cristianismo, mas a esse subgrupo do cristianismo e do protestantismo conhecido como Movimento Evangélico. E a esse movimento não interessa que haja um veloz crescimento entre católicos ou que ortodoxos se alastrem. Para “ser do Senhor Jesus”, o Brasil tem que virar “crente”, com a cara dos evangélicos. (acabo de bater três vezes na madeira).

Avanços numéricos de evangélicos em algumas áreas já dão uma boa ideia de como seria desastroso se acontecesse essa tal levedação radical do Brasil.

Imagino uma Genebra brasileira e tremo. Sei de grupos que anseiam por um puritanismo moreno. Mas, como os novos puritanos tratariam Ney Matogrosso, Caetano Veloso, Maria Gadu? Não gosto de pensar no destino de poesias sensuais como “Carinhoso” do Pixinguinha ou “Tatuagem” do Chico. Será que prevaleceriam as paupérrimas poesias do cancioneiro gospel? As rádios tocariam sem parar “Vou buscar o que é meu”, “Rompendo em Fé”?

Uma história minimamente parecida com a dos puritanos provocaria, estou certo, um cerco aos boêmios. Novos Torquemadas seriam implacáveis e perderíamos todo o acervo do Vinicius de Moraes. Quem, entre puritanos, carimbaria a poesia de um ateu como Carlos Drummond de Andrade?

Como ficaria a Universidade em um Brasil dominado por evangélicos? Os chanceleres denominacionais cresceriam, como verdadeiros fiscais, para que se desqualificasse o alucinado Charles Darwin. Facilmente se restabeleceria o criacionismo como disciplina obrigatória em faculdades de medicina, biologia, veterinária. Nietzsche jazeria na categoria dos hereges loucos e Derridá nunca teria uma tradução para o português. Mozart, Gauguin, Michelangelo, Picasso? No máximo, pesquisados como desajustados para ganharem o rótulo de loucos, pederastas, hereges.

Um Brasil evangélico não teria folclore. Acabaria o Bumba-meu-boi, o Frevo, o Vatapá…

Um Brasil evangélico significaria que o fisiologismo político prevaleceu; basta uma espiada no histórico de Suas Excelências nas Câmaras, Assembleias e Gabinetes para saber que isso aconteceria.

Um Brasil evangélico significaria o triunfo do “american way of life”, já que muito do que se entende por espiritualidade e moralidade não passa de cópia malfeita da cultura do Norte. Um Brasil evangélico acirraria o preconceito contra a Igreja Católica e viria a criar uma elite religiosa, os ungidos, mais perversa que a dos aiatolás iranianos…

Prefiro, sem pestanejar, textos do Gabriel Garcia Márquez, do Mia Couto, do Victor Hugo, do Fernando Moraes, do João Ubaldo Ribeiro, do Jorge Amado a qualquer livro da série “Deixados para Trás” ou do Max Lucado.

Toda a teocracia se tornará totalitária, toda a tentativa de homogeneizar a cultura, obscurantista e todo o esforço de higienizar os costumes, moralista…. Deus não é rival da liberdade humana, mas seu maior incentivador.Portanto, Deus nos livre de um Brasil evangélico.

(+ no site do próprio: www.ricardogondim.com.br)

Meu camarada ludovicense, Reges Mário, repassou o comentário de um internauta acerca de programas sociais tipo Bolsa-Família. para o qual emitimos nossa opinião mais abaixo:

“O que eu sei, na verdade, é que não gosto e ninguém gosta de trabalhar o dobro para sustentar quem nem conhece e que nada faz. Daria uma contribuição, sem a menor dúvida e sem gritar, se, por todo o dinheiro dado, se exigisse retribuição laboral …Dar atoa, a quem nada faz, parece-me insulto aos que trabalham para ganhar o seu pão. Pior ainda, se isto é feito por um Governo gastador e delinquente, que gasta além do que ganha, e gasta mal e com seus “cumpanheros”! Ninguém quer pagar a grana gasta pelos Sujeitos da Posse dos Cartões Corporativos, que fazem das leis, aparentemente sociais e de distribuição de renda, instrumento meramente populista que lhes propicia continuarem no Poder.”

Comentário do blog:

Há muita simplificação aqui, meu caro Reges.

Pelo raciocínio exposto, todos começaram em pé de igualdade e uma parte “resolveu”, de repente, cruzar os braços prá ser sustentada pelos “laboriosos, altruístas e incansáveis ricos”.

Esqueceu-se completamente a História, antiga e recente, e os modos nem sempre louváveis de acumulação de riquezas  que têm gerado abismos entre os níveis de oportunidades dados às diferentes camadas…

 

“…sustentar quem nem conhece e que nada faz”:
  1. NÃO são sustentados (o que recebem está longe, muito longe de ser um sustento, na acepção da palavra, pois não chega no mínimo que possa garantir a dignidade humana)
  2. Sobre o “nem conhece”: mentira! Conhecemos sim! É só baixar o vidro escurecido pelo fumê do Corrolla ou do Agile e veremos milhões deles. Podemos até ser amigos deles se não tivermos contaminados por esse nojo odioso do referido texto.
  3. Sobre o “nada faz”. Essa chega a doer, é quase nazista. O autor dessa pérola certamente não hesitaria em exterminar “essa gentalha improdutiva”, “essa gente diferenciada”.
“Dar atoa, a quem nada faz, parece-me insulto aos que trabalham para ganhar o seu pão”.

Aqui, nossa pobre vítima esqueceu que não trabalhar nem sempre (quase nunca) é exatamente uma opção. Aliás os ricos o são ricos em grande medida por obstarem à maioria o acesso ao trabalho pela super-exploração dos empregados ou pela substituição destes por tecnologia (bê-á-bá do capitalismo)

No tocante à parte do “governo delinquente” longe de mim defendê-lo.

A petralhagem petista não pode, contudo, obscurecer nosso papel de devedores (sim!!Devedores!!!) do ponto de vista histórico, dessa massa humana que precisa ser resgatada para a dignidade, para o SER efetivamente humano.

Pobre é osso!

Circula na web e-mail com as fotos acima acompanhadas de manchete e comentário: “Caminhão de Guaraná Antarctica capota em Osasco” / “Quando falam que pobre é fogo, dizem que é perseguição… “
Diante da ”natural” reação (gracejos e gargalhadas) de uma galera de classe média, escrevemos o texto abaixo, tentando trazer alguma reflexão para o lugar-comum da fácil pilhéria feita contra o populacho:

As fotos do inusitado fato amenizam-se sobremaneira, diante da rapinagem ensandecida e sub-reptícia dos que freqüentam o andar de cima.
Essa sim, tem fotos do horror, capazes de tornar o assalto ao caminhão tombado da multinacional um ato quase cândido, quase uma peraltice.
 
Quem dera as elites, os bem-nascidos, a turma dos Civics e Hiundais, os limpinhos com a pele bem protegida pelo fumê levantado, deixassem seus bunkers condominiais e, em algazarra, tomassem banho só de guaraná. Juntassem-se à patuléia naquilo que em Historia chamamos de resistência silenciosa, onde agentes históricos “não convidados” para o cenário da plenitude humana respondem a seu modo, através de saques, violência e dançinhas típicas dos não incluídos, da “gente diferenciada”.
Qual bárbaros invadindo um império, o povo do ‘Beco da Poeira’ e do ‘Ponto da Moda’ não para de escandalizar, incomodar, assustar. Insiste em espalhar o vírus do mundo real nos lindos sonhos dourados da estética pequeno-burguesa.
 
Que pena do desassossego dessa gente bonita dos alphavilles e resorts e dos seus aprendizes da classe média! 

Recente reportagem de um telejornal de Fortaleza (primeira semana de janeiro), na linha de denúncia ao despreparo do poder público ante a chegada do inverno, demonstrou a que (lastimável) ponto pode chegar a espetacularização da vida na mídia.

A repórter, em tom sensacionalista, falava algo do tipo: “Enquanto a reportagem esteve no local vários carros caíram neste buraco aberto pela chuva“.

Ora, senão como jornalistas, mas como cidadãos comuns, os membros da própria equipe de reportagem poderiam sinalizar, até humanitariamente, aquela vala, com um cone, um triângulo ou um galho de árvore, como fazem os populares, para evitar os próximos acidentes.

Não satisfeitos com o inusitado de tal omissão, continuaram a reportagem “contando” os carros que desgraçadamente eram vitimados. Rí prá não chorar ao ouvir a jornalista anunciando: “Vejam, está vindo um carro…atenção…mais um foi vítima…”

É o denuncismo faccioso  servindo-se do espetáculo da desgraça alheia.

Já pensaram esse tipo de “jornalismo” cobrindo o Haiti?

P.S.: Por motivo de força maior não tivemos como documentar o episódio. Mas é só ficar atento que algo do gênero se repetirá numa TV perto de você.

A foto de cidadãos abraçados em corrente humana, a proteger o museu do Cairo, em meio aos recentes conflitos é algo impressionante! É uma daquelas oportunidades, infelizmente cada dia mais raras, que faz a gente acreditar ainda nessa imensa tribo.

A grande tribo parece dar sentido à historia nesses momentos.

Estamos vivos…

Mas, “por conta de umas questões paralelas”,  o tempo ficou escasso prá dialogar com o mundo por este blog desde fevereiro último.

Retomaremos em breve.

Por ora, recomendamos a imprescindível, enriquecedora e  agradabilíssima leitura de “Padre Cícero – Poder, fé e guerra no sertão” de Lira Neto.

 Um abraço.

Reproduzimos abaixo, cópia de e-mail enviado à Secretaria de Cultura acerca de procedimento adotado na Biblioteca Pública Menezes Pimentel, que este blog entende como prejudicial à disseminação do hábito da leitura:

Cara Raquel Lima,

Gostaria de formalizar minhas sugestões, colocadas em conversa que tivemos na última quinta-feira (28/02):

Sou Professor de História do nível médio do Ensino Público e reitero minhas críticas ao procedimento adotado na Biblioteca Pública que consiste em possibilitar o empréstimo de livros SOMENTE A PARTIR DO DIA SEGUINTE AO DIA DA INSCRIÇÃO.

Tal procedimento é absolutamente improdutivo e contrário às campanhas de popularização da leitura que esta Secretaria faz (e milhares de professores fazem cotidianamente). Por detalhes técnicos, acabe se prestando um desserviço à disseminação do hábito da leitura.

Jovens estudantes, notadamente os da Escola Pública que, por diversos motivos, são os menos afortunados com tal hábito, têm aí, novos percalços: despender tempo e recursos financeiros (passagem de ônibus, etc.) para pegar um livro somente no outro dia.

Sem falar na FRUSTRAÇÃO e no DESESTÍMULO decorrente de não usufruir do serviço logo na primeira empreitada (imagino a via crucis de um garoto do Conjunto Ceará ou Bom Jardim, atravessando a cidade e voltando com as ”mãos abanando”).

Agradeço, em nome dos professores, sua atenção e aguardamos retorno desta Secretaria.

Wanderley Cavalcante

- – - – - – - – - – - – - – - – - -  – -

P.S.:  registre-se a ótima receptividade que tivemos.

Disponibilizamos neste post uma apresentação (power-point em 15 slides) sobre a cidade de Fortaleza e o futebol do ponto de vista histórico.

O objetivo é apresentar uma visão panorâmica DIDÁTICA a respeito do tema, possibilitando o acesso às informações através do apelo visual.

Torcemos que o material sirva como um sobrevôo introdutório, um passo inicial e ponto de partida para futuras e mais aprofundadas incursões.

É só clicar no link para baixar:

 Fortaleza Historia & Memória 1 – A cidade e o futebol v1_jan2010

Agradecemos sugestões, críticas e correções ao trabalho.

 

Obs.: Este é um trabalho de compilação, feito fundamentalmente sobre a “REVISTA FORTALEZA” publicada pelo jornal O POVO em 28/05/2006 (No. 8 – “A nossa bola”).

 

“Um mapa do mundo que não inclua a UTOPIA não é digno de ser olhado, pois ignora o único território em que a humanidade sempre atraca, partindo em seguida para uma terra ainda melhor.”

 Oscar Wilde, escritor irlandês (A alma do homem sob o socialismo)

“Comer um bom carneiro, curtir um seresteiro, tomar uma geladinha…”

Tem que estar registrado neste blog.

É pedaço da história do tradicional bairro do Benfica. História viva!

No ‘Bar do Chaguinha’ a gente sente estar numa daquelas “bodeguinhas” antigas de bairro (receio chamar de “boteco”, que esse termo tá virando coisa chic da classe média seguidora de modismos).

Dá um arrepio (em quem curte coisas antigas) ver aquelas propagandas antiguíssimas de refrigerante na parede.

Lá é um lugar prá se respirar boemia e em que não se vê as horas passarem.

Sob a batuta do carismático Chaguinha (Francisco Ferreira Neto, 75 anos) proprietário há cinqüenta e três anos (durante 37 anos, o bar funcionou do outro lado da rua Pe. Francisco Pinto), com o apoio da mulher e das duas filhas, Eunice e Vanda, o ‘boteco’ (sic!) proporciona boa música com uma famosa roda de músicos (às sextas) que acaba virando um grande coral com o público presente, e um carneiro e panelada de botar no chão os mais famosos da cidade.

Tudo isso ancorado num ambiente simples, rústico, às vezes apertado e com um calor mais que humano que, a meu ver (e de tantos outros que o freqüentam) fazem o charme histórico do lugar. Se reformar estraga!

♫ ”…pro seu estresse acabar o remédio está no bar do Chaguinha.”*

Sexta-feira, 18 de dezembro de 2009:

  • Testemunhamos, coroando a roda de samba capitaneada por Emanoel Nobre, o seu Saraiva interpretar ‘O Sole Mio’, sob o silêncio obsequioso das mesas. De arrepiar! Gravem na memória.
  • Extasiamo-nos com uma senhora (não peguei o nome, fico devendo) que acompanhou o pessoal da roda de samba com uma voz sem adjetivos. Cantou duas músicas apenas. Ainda bem. Na terceira eu beijaria os pés da diva.
  • Reencontramos o artista Omar Rocha (do circo Tupiniquim), irmão do amigo Arimá Rocha. Grande abraço!
  • Encontro de gerações: Tainá e sua galera do pólo cultural do Benfica em uma mesa (quem diria?).
  • O pessoal (por enquanto) da Oi, finalmente conheceu a Carmélia e a Nataly matou dois coelhos: conheceu também o comentado Godofredo.
  • Registre-se também o impagável “Mais uma gelada!!!” da Felix (o mundo gira…) e a bateria imaginária do Marcos Sales.
1 – Seu Chaguinha e Wanderley
2 – Chaguinha, esposa e filha
3 – Godô, Chaguinha, Carmélia, Wanderley e Nataly
4 – Painel com os tradicionais músicos
* Trechos da música “Samba do Chaga” – CD “Simplesmente Emanoel”

Replico trechos do comentário de Sérgio Magalhães acerca do post História para todos:

◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊◊

Caro amigo Wanderley,

Compartilho da mesma preocupação sobre a democratização do conhecimento acadêmico e tenho a expectativa que essa barreira seja rompida para que possamos ter acesso à novas produções no campo da história.

… No campo da história … apesar do esforço de alguns professores em romper com esse sistema, há um grande jogo de interesses e de lutas por espaço que manipula as publicações dando maior visibilidade às obras dos “iniciados da academia” que possuem, segundo Bourdieu, um maior “capital simbólico”que serve como reconhecimento e consagração.

Encontros de história como esse citado por você no post… servem ou deveriam servir para divulgar trabalhos dos “não iniciados” mas, infelizmente, não é isso o que se vê na prática. Os que participam do encontro tomam conhecimento de parte dos trabalhos, mas as publicações ficam restritas aos, como já citei, “iniciados”. No entanto, as práticas mudam à medida que se travam as lutas de interesses no “campo” e cabe aos historiadores tentar mudar a forma de divulgação e democratização do conhecimento acadêmico no área da História.

Os blogs como “Brejodaluz” e sites de História como “Café História” por serem mais democráticos, são espaços privilegiados para se discutir e travar debates acalorados sobre os mais variados temas de interesse da coletividade e servem também para divulgação de conhecimentos. Devemos usá-los sempre.
Talvez você devesse pensar em disponibilizar um espaço no blog para a publicação de resumos ou íntegra das monografias que estão sendo produzidas nas nossas universidades. Assim quem sabe, iniciar as mudanças no que diz respeito à divulgação do conhecimento acadêmico aqui nas terras alencarinas.
Vamos amadurecer essa idéia?
Aguardo resposta.

um abraço,

Sergio Magalhães.

(ver comentário completo no post citado)

 

1º Encontro Nacional de Divulgação de História e Ciências Sociais

Nos dias 10 e 11 de dezembro, o Rio de Janeiro receberá o 1º Encontro Nacional de Divulgação de História e Ciências Sociais.

Pioneira, a iniciativa trará ao público uma série de debates sobre a democratização do conhecimento acadêmico, hoje impulsionada pela proliferação de biografias, blogs, documentários, revistas e programas de rádio/TV e outras mídias.

A iniciativa é fruto de uma parceria entre a Revista de História da Biblioteca Nacional e o Departamento de Popularização e Difusão de Ciência e Tecnologia do Ministério de Ciência e Tecnologia.

Vamos acompanhar os resultados na espectativa de que sejam apontados avanços na democratização do conhecimento, notadamente no tocante ao acesso facilitado, incentivado, ao  mesmo pela patuléia*.

 

* Só como exemplo: a patuléia, o povão, a galerinha da Escola Pública, tá longe de conseguir consumir a convidativa coleção “História no Bolso” publicada pela própria Revista de História da Biblioteca Nacional (com patrocínio do BNDES, inclusive). Cada livreto é algo em torno de R$ 15,00!!!

A respeito da passagem “É preciso que os historiadores democratizem os resultados que tiveram… e que seus textos sejam destinados ao público não especializado” das citações de Caio Césr Boschi publicadas no post abaixo, lembro um comentário/inquietação recorrente do amigo-ledor Carlos Eugênio: por que ótimos livros de História, às vezes os melhores, são escritos por não-historiadores?”
Prá ficarmos em poucos exemplos, temos as obras de jornalistas como Laurentino Gomes (“1808″) e Eduardo Bueno (“A viagem do descobrimento”, “Náufragos, traficantes e degredados”, etc).

Estariam os egressos das Academias de História descumprindo este importante papel de socializar o conhecimento?

Há excelentes livros de historiadores e o “pecado” estaria apenas na deficiência do aparato de marketing editorial/comercial para estas obras?

Com a palavra o leitor.

“Cultivo o ensinamento de Leon Tolstoi (1828-1910) no seu incontornável Guerra e Paz, de que, para alcançar o conhecimento do universal, devemos partir da compreensão da realidade local.”

“O saber tem que ser socializado. É preciso que os historiadores democratizem os resultados que tiveram… e que seus textos sejam destinados ao público não especializado.”

“Não vemos a História a partir de uma perspectiva determinista, mas como ela pode orientar e dar sentido às nossas vidas, até para o exercício da cidadania.”

- – - – - – - – - – - – -

O homem sempre buscou conhecer seu passado. Questionamos o passado porque nele encontramos respostas para compreendermos o presente. Uma das funções básicas da História é permitir a compreensão da vida em sociedade e dos homens que a integram e a transformam ao longo do tempo. A História serve para que o homem conheça a si mesmo – assim como suas afinidades e diferenças em relação aos outros. Saber quem somos permite definir para onde vamos.

Caio César Boschi

(Revista de História da Biblioteca nacional e site http://www.revistadehistoria.com.br/v2/home/)

Este post está protegido por senha. Para vê-lo, digite sua senha abaixo:


A diversidade sexual chegou aos quadrinhos da Turma da Mônica. A 6ª edição da revista “Tina”, já nas bancas, mostra ao público o primeiro personagem gay criado pela equipe de Maurício de Souza. Na história, Caio é o melhor amigo de Tina e deixa outros personagens surpresos quando se diz comprometido, apontando um outro rapaz. Tina, criada nos anos 60 e que hoje estuda jornalismo, aproveita e faz um dircurso contra o preconceito. Caio, aos poucos, vai ganhar mais espaço nas histórias. Em outras publicações Maurício de Souza já deu outros passos para acabar com o preconceito. Já foram criados personagens deficientes visuais e cadeirantes.

Notícia retirada do blog ‘e-bookgrátis.com.br’ (em destaque na barra vertical).

 

Capa Módulo II

Dando continuidade ao conjunto de apresentações acerca do tema ORIENTE MÉDIO, MUNDO ÁRABE e MUNDO MUÇULMANO, postamos abaixo o Módulo II, iniciando com uma apresentação sobre a PALESTINA e o processo de ocupação daquele pedaço de terra no século passado.

 

Como dissemos (ver posts relacionados) o objetivo deste trabalho de compilação é apresentar uma visão panorâmica didática de conceitos básicos e contextualização, um sobrevôo introdutório,  um passo inicial para futuras e mais aprofundadas incursões em tão importante temática.

O objetivo é popularizar o seu entendimento, tentando “criar pontes” principalmente para aqueles que não têm acesso didático (ou tempo) ao tema, através de apresentações em Power-point, com quadros sinópticos, esquemas-resumo, infográficos e mapas mentais.

Em breve, publicaremos a parte II.2 (ÁRABES E ISRAELENSES: uma história de conflitos) que traça uma panorâmica sobre os principais conflitos (Guerra de independência de Israel, Guerra de Suez, Guerra dos Seis Dias, Yom Kippur, etc.). Fique ligado e envie críticas, sugestões, aprimoramentos, etc…

 

Power-point do MÓDULO II: Conflitos / Parte 1 – “PALESTINA: um pedaço de terra disputado por dois povos”. (CLIQUE ABAIXO): 

Panorama Geopolítico_Oriente Médio v1 Parte II.1

 

Ver posts relacionados (com as primeiras apresentações):

Oriente Médio, Mundo árabe e Mundo Muçulmano, esses desconhecidos (I)

Oriente Médio, Mundo árabe e Mundo Muçulmano, esses desconhecidos (II)

1024925-250x250[1]

Bom prá gente ler e divulgar aos quatro cantos do mundo o que os quatro cantos já sabem. Precisávamos dessa obra que “resume” (se é que é possível resumir) a bandidagem oficial dos donos de uma terra onde vive um grande e explorado povo. O livro de Palmério Dória é bela ferramenta para ajudar os decentes cidadãos deste país a apagar da cena brasileira o jurássico e obscurantista Sarneystão.*

Um dos jornalistas mais respeitados do país conta os bastidores do surgimento, enriquecimento e tomada do poder regional pela família Sarney. Do Maranhão ao Senado, o livro mostra os cenários e histórias protagonizadas pelo patriarca que virou presidente da República por acidente, transformou o Maranhão no quintal de sua casa e beneficiou amigos e parentes.

Com 50 anos de vida pública, o político mais antigo em atividade no país enfrenta escândalos e a opinião pública. É a partir daí que o livro puxa o fio da meada, utilizando as ferramentas do bom jornalismo investigativo. Sempre com muito bom humor, o jornalista faz um retrato do Brasil na era Sarney, os mandos e desmandos do senador e seus filhos, no Maranhão e no Congresso Nacional.

 

* “Istão” significa terra, lugar (referência aos “istões”: Cazaquistão, Paquistão, Turcomenistão, Afeganistão, etc)

Esse é um texto muito bacana prá ser trabalhado em sala de aula como introdução em temas que se aproximam da questão ambiental e da preservação da natureza (a disputa histórica pela água no Oriente Médio, por exemplo, desde as primeiras civilizações):

Realidade ou ficção? Carta escrita no ano 2070:

Estamos no ano de 2070, acabo de completar os meus 50, mas a minha aparência é de alguém de 85. Tenho sérios água chargeproblemas renais porque bebo muito pouca água. Creio que me resta pouco tempo de vida. Hoje posso dizer que sou uma das pessoas mais idosas nesta sociedade.

Recordo quando tinha 5 anos. Ah, tudo era muito diferente. Havia muitas árvores nos parques, as casas tinham bonitos jardins e eu podia desfrutar de um gostoso banho de chuveiro com cerca de uma hora. Agora usamos toalhas umedecidas em azeite mineral para limpar a pele. Antes todas as mulheres tinham orgulho de mostrar a sua formosa cabeleira. Agora todos devemos raspar a cabeça para a manter limpa mesmo sem água. Antes o meu pai lavava o carro com a água que saía de uma mangueira. Hoje os meninos não acreditam que a água podia ser utilizada dessa forma.

Recordo que havia muitos anúncios que diziam “CUIDA BEM DA ÁGUA, POUPE”, s´que ninguém ligava; pensávamos que a água jamais poderia acabar.Agora, todos os rios, barragens, lagoas e mantos aqüíferos estão irreversivelmente contaminados ou esgotados.

Antes a quantidade de água indicada como ideal para beber era de oito copos por dia, no mínimo, por pessoa adulta. Hoje só posso beber meio copo.

A roupa é descartável, o que aumenta grandemente a quantidade de lixo; tivemos que voltar a usar os poços sépticos (fossas) como no século passado porque as redes de esgotos não funcionam por falta de água.água em 2070 '

A aparência da população é horrorosa; corpos desfalecidos, enrugados pela desidratação, cheios de chagas na pele pelos raios ultravioletas que já não têm a capa de ozônio que os filtrava na atmosfera.

Imensos desertos constituem hoje a paisagem que nos rodeia por todos os lados. As infecções gastrintestinais, enfermidades da pele e das vias urinárias são as principais causas de morte. A indústria está paralisada e o desemprego é dramático.

As fábricas desalinizadoras são a principal fonte de emprego e pagam pelo seu trabalho com água potável em vez de salário. Os assaltos por um bidão de águasão comuns nas ruas desertas. A comida é 80% sintética.

Pela ressequidade da pele uma jovem de vinte anos está como se tivesse 40. Os cientistas investigam, pesquisam, mas não há solução possível, pois não se pode fabricar água, o oxigênio também está degradado por falta de árvores, o que diminuiu em muito o coeficiente intelectual das novas gerações.

Alterou-se até a morfologia dos espermatozóides de muitos indivíduos, e como conseqüência há muitos meninos com insuficiências, mutações e deformações. O governo a´te nos cobra pelo ar que respiramos, uma média de 137m3 por dia por habitante adulto.

A gente que não pode pagar é retirada das “zonas ventiladas”, que estão dotadas de gigantescos pulmões mecânicos que funcionam com energia solar; não são de boa qualidade, mas pode-se respirar. A idade média de vida é de 35 anos.

Em alguns países ficaram manchas de vegetação com o seu respectivo rio que é fortemente vigiado pelo exército, pois a água tornou-se um tesouro muito cobiçado, mais até do que o ouro ou os diamantes.

Aqui não há árvores porque quase nunca chove, e quando chove é chuva ácida; as estações do ano têm sido severamente transformadas pelas provas atômicas e da indústria contaminadora do século XX.

Advertia-se que havia que cuidar o meio ambiente e ninguém fez caso. 

Quando a minha filha me pede que lhe fale de quando era jovem, descrevo o bonito que eram os bosques, lhe falo da chuva, das flores, do agradável que era tomar banho e poder pescar nos rios e barragens, beber toda a água que quisesse, o quanto saudável que era a gente.

Ela pergunta-me: Papai! Porque acabou á água?? Então nessa hora sinto um nó na garganta; não posso deixar de sentir-me culpado, porque pertenço à geração que terminou destruindo o meio ambiente ou simplesmente nos omitimos em ouvir ou levar em conta tantos avisos que se faziam.

Agora, os  nossos filhos pagam um preço muito alto, e sinceramente, creio que  a  vida  na   terra já não será possível dentro de muito pouco tempo porque a destruição do meio  ambiente chegou a um ponto irreversível. Como    gostaria   voltar   atrás   e    fazer   com  que toda a humanidade compreendesse  isto  quando ainda podíamos  fazer algo para salvar o nosso planeta terra !” 

Documento  extraído  da   revista “Crônicas de los Tiempos” de abril de 2002.

homer_simpson_radiografiaApós assistir as manifestações de euforia extasiante do povo brasileiro com a recente escolha do Rio de Janeiro para sede das Olimpíadas de 2016, fui tentado a fazer coro com o raciocínio do tipo “cada povo tem o governo que merece”, ou “a culpa é do povo que se deixa enganar facilmente“, “é este povo que escolhe esses políticos“, etc…

Recentemente publicamos neste blog interessante power-point que circula na Internet intitulado “A bofetada do ano” (ver post abaixo).

Apesar de inclinado a repetir o pensamento em questão, continuo desconfiando que o mesmo é um tipo clássico de inversão de culpabilidades, onde a vítima (no caso, o povo) estaria sendo posta na posição de réu.

Dá pano prá manga essa discussão, mas teimo em pensar que um povo que é diuturnamente bombardeado com banalidades, bestialidades e besteirol da mídia, tem sua mente moldada para esse “bbb” (tenho 50 minutos de aula pra tentar mostrar aos jovens da periferia, por exemplo, a importância do seu papel histórico; Ênio Carlos, João Inácio Jr., Felipão, Faustão, Gugu, Huck e toda essa corja (enraiveci agora), têm um universo de veículo e tempo prá desfazer tudo o que professor e livros podem fazer em sala da aula. A concorrência é braba!).

Sem falar na qualidade da educação e culturas, recebidas, quando muito em doses homeopáticas e amazonicamente distantes, em potencial de alcance e de recursos, do “bbb” citado.

E por detrás de tudo isso, é claro, o modelo de sociedade a que nossas elites interessa perpetuar. O povo bestializado, abobalhado, macwillian_homer1aquito, não é nada mais nada menos, que “imagem e semelhança” dessa elite, criação dela, formado por ela.

É ela, a elite, a nossa vilã, que deve ser posta no banco dos réus.

Claro que vale uma bofetada daquela sim (a da apresentação), prá sacudir.

Mas nossos “Homers” estão somente a imitar os donos do poder e da mídia.

Post relacionado:

“A bofetada do ano”

Sawubona Brasil!

ABAHLALI 2110

Denúncias da organização Abahlali baseMjondolo, dão conta do uso sistemático de violência, arbitrariedades e expulsões forçadas sofridas por populações pobres moradoras de grandes centros urbanos na África do Sul.

O Abahlali baseMjondolo (Shack Dwellers) é um movimento que começou em Durban, África do Sul, no início de 2005, e hoje é, em termos do número de pessoas mobilizadas, a maior organização dos pobres, militante no pós-apartheid. Luta contra o despejo e as remoções forçadas das comunidades e pela democratização do acesso ao básico da existência humana: água, luz, saúde, saneamento básico, educação, etc.

A tragédia da população pobre sul-afiricana, crescente à medida em que se aproxima a Copa de 2010, serve (ou deveria servir) de alerta para a possibilidade de se repetir, aqui, algo que, a rigor, nem ABAHLALI 2114seria surpresa.

A jogada é simples e antiga: prá produzir o espetáculo, é preciso remover o real.

Remover o feio e desagradável, mas real. Ou maquiá-lo.

Assim, para o mundo e para os plebeus internos o grande circo não fica maculado com chatices tipo favela, criminalidade, infância miserável…

É pílula azul pura (a de Matrix, claro): umas reformas de primero mundo aqui, uma “maquiagem Zona Sul” alí… luz, câmera…e circo!

 

Saiba mais em: http://www.abahlali.org/

Veja mais em: http://www.jblog.com.br/politica.php?itemid=16374

 

“SAWUBONA” ou “SAWABONA”, é um cumprimento usado no sul da África, quer dizer “EU TE RESPEITO, EU TE VALORIZO, VOCÊ É IMPORTANTE PRA MIM”. Em resposta as pessoas dizem “SHIKOBA” que é “ENTÃO EU EXISTO PRA VOCÊ”.”

Posts relacionados:

Copa 2014, Rio 2016 não só para bigbrotheanos e macaquitos da sociedade do espetáculo

Copa de 2014 ou “mas há milhões desses seres que se disfarçam tão bem…”*

Copa de 2014: Saúde Pública, the show is here!

Help União Européia!! (um blogueiro só não faz verão…)

rio7“Celebremos a alegria, os feitos, os simbolismos, o Rio, o amanhã. Mas não tratemos como xiita, resmungão ou baixo astral um porta-voz da preocupação. Não pode ser tratado como crime de lesa-pátria o medo de que haja obras superfaturadas ou a desconfiança diante de certos cartolas que se eternizam no poder – “déspotas perfumados”, como define o jornalista Juca Kfouri. ” *

O Departamento parou naquele início de tarde. Na histórica hora (13:51) do histórico dia (02/10)  os funcionários vibraram e se abraçaram, emocionados, ufanistas: 2016 é nosso! Viva o Rio, viva o Brasil!

Poucos tiveram tempo prá fazer uma pergunta que um esperto garoto do Maracanaú fez a este blog: onde esconderão os mendigos, os traficantes, as favelas miseráveis?… Completamos: onde esconderemos a vida real, com seus hospitais e postos de saúde de quarto mundo, com suas escolas de formação do crime ou com seu submundo da prostituição infantil?

Bobagem nossa. Esconder vida real é moleza em uma sociedade que insiste em tomar a pílula azul**.

Choramos as emoções que a Matrix-Mídia nos faz chorar, adoramos a Mercadoria que a Matriz-Mercado nos faz adorar, comemoramos as datas e trocamos presentes que a Matrix-Marketing determinar, e nos esbaldaremos na festa esportiva que arquitetos do ‘Pão e Circo’ do século XXI montam para os nossos casulos cerebrais.rio3

Tudo isso com pouco remorso ou com pouca preocupação. Nada que uma campanha assistencialista e caritativa aqui e ali não resolva (no mesmo modelo daqueles chás de caridade das piruas dondocas da elite).

 Em tempo, antes que falem de azedume:

Copa 2014 sim! Rio 2016 sim! Mas muito mais que só pão e circo.  

 

* (trecho de um artigo de Rodrigo de Almeida, editor-executivo do Jornal do Brasil e doutorando em Ciência Política, Coluna ‘Coisas do Brasil’, jornal OPOVO de 05/out/2009)

** Referência ao filme Matrix: o personagem Neo enfrenta as opções entre duas pílulas: tomando a azul, Neo voltará à sua ilusória e superficial vida; se optar pela pílula vermelha, conhecerá a verdade que está por detrás do mundo que julga ser real.

Posts relacionados:

Copa de 2014 ou “mas há milhões desses seres que se disfarçam tão bem…”*

Copa de 2014: Saúde Pública, the show is here!

Help União Européia!! (um blogueiro só não faz verão…)

2014 entre violência

Os europeus estabelecem um padrão de qualidade e aí os tupiniquins seguem este padrão.

A União Européia define: só aceitamos a comercialização de tal produto se forem garantidas tais e tais condições de fabricação (não uso do trabalho infantil ou não desgaste de recursos naturais, por exemplo), e, aí, embarcamos no modelo.

Bingo! É só isso que precisamos então para a Copa de 2014: exigências da UE para que a realização do mega evento no Brasil (leia-se: gastos suntuosos com construção de infra-estrutura e estádios de futebol de primeiro mundo) seja acompanhada do encaminhamento de soluções eficazes e duradouras de pelo menos um grande tema nacional não resolvido (educação, saúde, segurança, etc.).

Bigbrotheanos que somos, macaquitos da sociedade do espetáculo, faríamos nosso oba-oba com a chancela de uma exigência além-mar que é ouvida pelos nossos representantes (governantes e midiáticos).

Assim haveria mobilização. A massa, facilmente carnavalizada pela grande mídia, ufanista e orgulhosa, bem como nossa classe média cheia de faniquitos quando a moçada do morro resolve dar uma limpa na sua ilha da fantasia, estaria livre para se esbaldar com a consciência mais leve.

Help Europa! Ainda precisamos de alguma lucidez de fora prá sentir o tal do “incômodo da incoerência” prá poder curtir a festa sem esquecer que atrás das cortinas há (e continuará a crescer) uma guerra civil silenciosa que temos insistido em não ver.

 

Posts relacionados:

Copa de 2014 ou “mas há milhões desses seres que se disfarçam tão bem…”*

Copa de 2014: Saúde Pública, the show is here!

Da cidade de Fortaleza – Uma das sedes da Copa de 2014:

Fortaleza The show is hereAgosto de 2009. Eduardo, 8 anos, com febre, diarréia, combalido. Acompanhado da mãe, espera atendimento no Posto de Saúde do Município (Posto Pedro Celestino, na Maraponga).

Boa hora depois voltará prá casa sem ser atendido. A mãe é avisada pela atendente municipal que naquele dia o clínico de plantão atende somente as pessoas da “zona amarela”.

Vamos (tentar) explicar: é que o programa de saúde é baseado na divisão do bairro em zonas (amarela, azul, etc.) e, assim, o distinto munícipe tem que COMBINAR SUA DOENÇA COM A ZONA à QUAL PERTENCE SUA RUA PARA SER ATENDIDO.

O caro leitor, que talvez tenha Unimed ou HAPVIDA (que, diga-se de passagem, são planos de dinh… digo de saúde que fazem estágio, para atenderem com o mesmo padrão do SUS do povão) não acredita? Nem eu acreditaria. Mas, D. Nina, 71 anos, repórter de campo deste blog (minha mãe) testemunhou e não haveria de mentir.

Este blog deseja sorte ao Eduardo. Em caso de uma próxima doença, tomara que a mesma coincida com a cor de sua rua.

Quem sabe sul africanos, franceses, coreanos, alemães ou croatas o verão, em 2014, como gandula de um belo estádio de primeiro mundo. Tomara que seu irmão mais novo não esteja, à época, tentando se curar de alguma doença, em alguma zona, de alguma cor.

Falamos da cidade de Fortaleza – Uma das sedes da Copa de 2014.

Posts relacionados:

Copa de 2014 ou “mas há milhões desses seres que se disfarçam tão bem…”*

Help União Européia!! (um blogueiro só não faz verão…)

bofetadaFoi-nos repassada por Carlos Eugênio uma apresentação (power-point) acerca do papel e da responsabilidade do povo brasileiro sobre a situação atual da nossa sociedade.

Este blog está anexando a mesma para reflexão pelos seus visitantes. É um questionamento oportuno e suscita alguns prós e contras que estaremos comentando em post nos próximos dias. Dá prá uma boa discussão.

À apresentação primeiro:

Abofetadadoano_comsom_

cidadao Kane GLOBO“Além do Cidadão Kane” é um documentário produzido pela BBC de Londres – proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial - que trata das relações sombrias entre a Rede Globo de Televisão, na pessoa de Roberto Marinho, com o cenário político brasileiro.

O documentário fornece uma base histórica para se entender e debater um processo até hoje não enfrentado pela sociedade brasileira: a questão da democracia e transparência nas concessões de rádio e TV e da participação dos mais interessados no assunto: o público.

Veja o vídeo e divulgue na sua escola e na comunidade:

http://video.google.com/videoplay?docid=-570340003958234038&ei=QHy_SqPvB5ucrQK-4bnNBg&q=cidadao+kane&hl=pt-BR#

Dando continuidade ao que expúnhamos em “Do nosso quintal ao mundo ou porque estudar história?” (I, II E III) discorremos a seguir sobre outros dois pontos que pontuam a estratégia até aqui exposta:

2. TRABALHO COM CONCEITOS

  •   Os conteúdos programáticos devem valorizar “os instrumentais de análise, ou seja, os conceitos e procedimentos próprios de uma dada disciplina que de fato serão a herança intelectual que a escola deixará para os educandos, juntamente com as competências e habilidades a serem desenvolvidas” (PCNs, grifo nosso) e não o conteúdo pelo conteúdo. Seria algo como primar por fornecer as ferramentas conceituais necessárias para o (“futuro”) cidadão.
  • Que “a adoção de formas de organização programática… sejam flexíveis e… permitam fazer com que os conteúdos programáticos possam ser… meios para construção/reconstrução de conhecimentos por parte dos educandos, e não fins em si mesmos.” (PCNs).

mafald01[1]Na prática, o que se coloca aqui é uma nova escala de prioridades na relação entre os Conceitos e o Conteúdo, um novo patamar de relações entre os dois. Não se trata, evidentemente, de uma relação estática de subordinação deste àqueles, mas de uma troca, que “dê vida”, significado, sentido aos conteúdos.

Isso importa numa mudança paradigmática no modo de ensinar história. 

Fomos habituados, ao longo dos anos, com um ensino onde a História aparece como um “corpo estranho” à nossa realidade. Saber história era sinônimo de dominar um conjunto imenso de informações. Nosso referencial e modelo era aquele professor de cursinho com um “saber enciclopédico” (com dinastias, personagens, eventos, cronologias, fatos, curiosidades, etc., na ponta da língua).

Tudo bem. Isso é muito bom e bonito, prático e útil, prá uma minoria de intelectos movidos pela curiosidade em relação ao passado e que conseguem com relativa facilidade captar e sistematizar o panorama da saga humana.

 Mas, e a grande massa, como é que fica? Prá que serve um saber prá ficar circunscrito a um grupo reduzidíssimo da sociedade? A velha pergunta: por que a maioria dos alunos não tem interesse? E o mais importante: qual a contribuição da disciplina para a formação de cidadãos, que, em última instância, são (ou deveriam ser) os agentes históricos que intervirão, em medidas diversas, no presente?

 Liberdade em relação aos conteúdos tradicionais. Nós os controlamos, não eles a nós. Os conteúdos deveriam funcionar como a parte ilustrativa do corpo de conceitos e instrumentos necessários à formação:

Alguns exemplos:

Conceito: A questão agrária. Conteúdos: pode ser trabalhada em diversos contextos históricos, como: Roma Antiga (escravos e plebeus versus patrícios proprietários de terras), no Feudalismo (senhores feudais, revoltas camponesas, etc), no Império brasileiro (Lei te terras, etc), na República recente (reformas de base, Golpe Militar, etc)

Conceito: O papel dos “especialistas no trato com o sobrenatural” e das religiões. Conteúdos: há milhares deles, desde o neolítico/paleolítico, passando pelas teocracias orientais, pelo domínio da Igreja na Idade Média….

Conceito: O papel da escrita e do domínio do saber. Conteúdos: primeiras sociedades, Idade Média, etc….

Conceito: A democracia, o liberalismo e as revoluções sociais. Conteúdos: Grécia, séculos XVIII aos dias atuais, etc…..

Estamos bolando um BANCO DE IDÉIAS (Linkando História à vida real) que pretendemos debater (e aprender com as propostas) em breve.

Posts relacionados:

 Do nosso quintal ao mundo ou por que estudar história? (I)

 Do nosso quintal ao mundo ou por que estudar história? (II)

Do nosso quintal ao mundo ou Porque estudar história? (III)

Posts mais antigos »

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.