Recente reportagem de um telejornal de Fortaleza (primeira semana de janeiro), na linha de denúncia ao despreparo do poder público ante a chegada do inverno, demonstrou a que (lastimável) ponto pode chegar a espetacularização da vida na mídia.
A repórter, em tom sensacionalista, falava algo do tipo: “Enquanto a reportagem esteve no local vários carros caíram neste buraco aberto pela chuva“.
Ora, senão como jornalistas, mas como cidadãos comuns, os membros da própria equipe de reportagem poderiam sinalizar, até humanitariamente, aquela vala, com um cone, um triângulo ou um galho de árvore, como fazem os populares, para evitar os próximos acidentes.
Não satisfeitos com o inusitado de tal omissão, continuaram a reportagem “contando” os carros que desgraçadamente eram vitimados. Rí prá não chorar ao ouvir a jornalista anunciando: “Vejam, está vindo um carro…atenção…mais um foi vítima…”
É o denuncismo faccioso servindo-se do espetáculo da desgraça alheia.
Já pensaram esse tipo de “jornalismo” cobrindo o Haiti?
P.S.: Por motivo de força maior não tivemos como documentar o episódio. Mas é só ficar atento que algo do gênero se repetirá numa TV perto de você.



























