Circula na web e-mail com as fotos acima acompanhadas de manchete e comentário: “Caminhão de Guaraná Antarctica capota em Osasco” / “Quando falam que pobre é fogo, dizem que é perseguição… “
Diante da ”natural” reação (gracejos e gargalhadas) de uma galera de classe média, escrevemos o texto abaixo, tentando trazer alguma reflexão para o lugar-comum da fácil pilhéria feita contra o populacho:
As fotos do inusitado fato amenizam-se sobremaneira, diante da rapinagem ensandecida e sub-reptícia dos que freqüentam o andar de cima.
Essa sim, tem fotos do horror, capazes de tornar o assalto ao caminhão tombado da multinacional um ato quase cândido, quase uma peraltice.
Quem dera as elites, os bem-nascidos, a turma dos Civics e Hiundais, os limpinhos com a pele bem protegida pelo fumê levantado, deixassem seus bunkers condominiais e, em algazarra, tomassem banho só de guaraná. Juntassem-se à patuléia naquilo que em Historia chamamos de resistência silenciosa, onde agentes históricos “não convidados” para o cenário da plenitude humana respondem a seu modo, através de saques, violência e dançinhas típicas dos não incluídos, da “gente diferenciada”.
Qual bárbaros invadindo um império, o povo do ‘Beco da Poeira’ e do ‘Ponto da Moda’ não para de escandalizar, incomodar, assustar. Insiste em espalhar o vírus do mundo real nos lindos sonhos dourados da estética pequeno-burguesa.
Que pena do desassossego dessa gente bonita dos alphavilles e resorts e dos seus aprendizes da classe média!



























